Conheça a história da extinta Escola de Pharmacia e Odontologia de Ouro Fino

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Escola de Pharmacia e Odontologia de Ouro Fino
Turma de 1915 da Escola de Pharmacia e Odontologia de Ouro Fino ( Foto: Site Alberto Lopes Leiloeiro)

O primeiro curso de odontologia de São Paulo começou a funcionar em 1902, na
Escola Livre de Pharmacia. A expansão do ensino foi bastante rápida não só no Estado de São Paulo mas, em outros Estados do Brasil, como Minas Gerais. Foram criadas novas escolas estaduais e livres.

Foi fundada em 20 de junho de 1911 a renomada Escola de Pharmacia e Odontologia que teve mais de mil alunos matriculados durante o período que permaneceu em funcionamento. Naquela época, haviam apenas duas Escolas de Farmácia oficiais em Minas Gerais, sendo uma, no município de Ouro Preto, mantida pelo Governo Federal e a outra em Ouro Fino, que foi equiparada pelo Governo Federal em 28 de setembro de 1918.

A instituição foi criada pelo professor Alberto Nunes Brigagão no então município de Silvestre Ferraz (atual Carmo de Minas) em 1911, reconhecida pelo Governo de Minas Gerais em 1912 (quando o ourofinense Júlio Bueno Brandão era presidente do Estado) e transferida para Ouro Fino por decreto estadual de 14 de agosto de 1913, onde funcionou na Avenida Cyro Gonçalves, no prédio que também o Collegio Brazil e atualmente a Escola Normal.

O Observatório de Ouro Fino realizou uma pesquisa referente ao possível motivo pelo qual a Escola foi fechada. De acordo com a pesquisa, um forte indício que ocasionou o fechamento da Escola de Pharmacia e Odontologia de Ouro Fino foi de cunho político relacionado com a Ação Integralista Brasileira (AIB). Essa ação, voltou maior atenção às escolas implantadas pelo movimento integralista no estado de Minas Gerais nos anos de 1932 a 1937. O Integralismo se lançou oficialmente no ano de 1932 por meio do Manifesto de 7 de Outubro e teve seu fim decretado em dezembro de 1937, quando partidos políticos foram cassados por Getúlio Vargas com a instalação do Estado Novo.

De acordo com o jornal Diário Carioca de nº 2.363 de 1 de abril de 1936, publicou uma matéria sobre o envolvimento dos Integralistas ( também conhecido como camisas-verdes devido a cor dos seus uniformes) no chamado “Conflito de Jacutinga”, onde oito “camisas-verdes” foram presos, sendo um deles, o senhor Sebastião de Paiva, vulgo Bellini, que na época era chefe do núcleo e estudante da Escola de Pharmacia e Odontologia de Ouro Fino.

A referida Escola foi fechada no ano de 1937, pelo Presidente Getúlio Vargas por meio do Decreto nº 3.197, de 25 de Outubro de 1938. Em seu último ano, a Escola funcionou na conhecida Casa de Pau a pique de propriedade na época, da senhora Ursulina Pitaguary. Graduaram-se nessa Escola, entre outras figuras de destaque, o escritor Manuel Casasanta, Dom Lafayette Ferreira Álvares (2º bispo da Diocese de Bragança Paulista) e Antonio Baracchini (fundador da Escola de Pharmacia e Odontologia de Ribeirão Preto). Também formaram figuras importantes de Ouro Fino, como o Dr. Pompeu Rossi e Luis Ulisses Quaglia.

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