Opinião: Bares, restaurantes, lanchonetes e adegas não são os principais vetores da Covid-19

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Bar (Foto: Reprodução)

Nos últimos dois meses, os números de casos de Covid-19 estouraram no Sul de Minas. Ouro Fino não ficou para trás e teve um aumento significativo de pessoas infectadas, fato este que, finalmente, causou medo na população.

Ouro Fino teve um aumento de 89% em casos confirmados nos últimos trinta dias, de acordo com um estudo realizado pelo vereador Tiago Bazolli. O número assusta e isso é um reflexo do desleixo da população entre os meses de outubro, novembro e dezembro.

Neste período, o número de casos diminuiu de forma satisfatória. O que fez com que a população relaxasse nos cuidados contra o vírus. Desta maneira, uma hora iríamos ver o reflexo disso e é exatamente o que estamos vivendo agora. Ouro Fino conta com mais de 614 casos confirmados de COVID-19 e o número de mortos chegou a 9.

E, não vamos parar por aí. Infelizmente. Os números seguirão aumentando e mais vidas serão perdidas nesta segunda onda. E, isso se deve a nossa falta de responsabilidade. Quanto digo ”nossa”, me incluo também, já que não segui 100% as normas impostas e é por este motivo que não faço julgamento a ninguém que furou a quarentena.

Festas de fim de ano, aglomerações em fazendas e chácaras, muitas pessoas reunidas em frente à casa do novo prefeito para comemorar sua vitória. Pessoas não usando máscara, não se higienizando com álcool em gel. Além disso, muitos desceram para o litoral no Natal e Ano Novo. Enfim, foi uma série de erros que cometemos.

Porém, o que mais me chamou atenção nos últimos dias foi uma parte da população pedindo para que bares, restaurantes, adegas e lanchonetes fechassem. Isso não é a solução para nossos problemas com o vírus. Longe disso, isso causaria outras situações lamentáveis. E eu logo explico: Os estabelecimentos acima precisam trabalhar para manter funcionários contratados. Nossa cidade já é conhecida pela falta de oportunidades de empregos, se batermos na tecla para que este tipo de comércio paralise suas atividades causaríamos um caos ainda maior na vida de muita gente.

Em Ouro Fino, entendemos que houve uma certa aglomeração em alguns estabelecimentos. Mas, na maioria deles, os proprietários seguiram todos os decretos e recomendações dos órgãos de saúde e não merecem ser punidos por uma irresponsabilidade que eles não cometeram.

A fiscalização em Ouro Fino também relaxou nos últimos meses de 2020. O que permitiu que algumas aglomerações passassem impunes. Nas redes sociais, era fácil ver registros de festas clandestinas. Teve várias. E, em nenhuma delas, os órgãos competentes foram até o local para paralisar e multar os organizadores.

Portanto, não é justo punir os comerciantes que necessitam do público presente nas mesas para sobreviverem. Lógico, todos eles devem seguir os protocolos e não aceitar que o local passe da quantidade de pessoas permitidas. Assim, todos poderão continuar sustentando suas famílias e mantendo seu empreendimento funcionamento.

Na minha opinião, não adianta fechar os estabelecimentos noturnos e manter os demais. Quando isso ocorreu, as filas de supermercados, farmácias e bancos ficavam lotadas e isso foi motivo de reclamação da população.

Portanto, se todos colaborarem, nenhum comércio precisará ser fechado. Todo mundo vai continuar trabalhando, claro, seguindo as regras que o momento exige. Espero que nossa fiscalização faça um trabalho 100%, assim como estava sendo no inicio da pandemia. Que punam aqueles que estão realizando aglomerações e continuem apoiando os comércios, principalmente os que operam no período da noite.

E a população deve entender as regras e respeita-las. Sei o quanto é difícil para os comerciantes impedir que pessoas fiquem reunidas nas ruas, já que é um local público. Isso acontece frequentemente em Ouro Fino. E, o comércio que acaba sendo punido. Se todos se ajudarem, logo logo a vacina estará disponível e poderemos voltar a fazer aglomerações, festas e divertimentos em geral. Porém, o momento pede cautela e atenção de todos.

Vamos vencer essa pandemia. Vamos voltar a ter uma vida normal. Porém, precisamos ser conscientes neste momento e ajudar nosso comércio sobreviver.