Mortes por doenças respiratórias têm salto de 763% no ano

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Leitos de hospital
Leitos de hospital

De janeiro até abril deste ano, as mortes registradas como SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave) em Minas Gerais apresentaram um crescimento de 763% em comparação a média de óbitos registrados no mesmo período entre 2010 e 2019.

Os dados, da SES-MG (Secretaria de Estado de Saúde de Minas Gerais), obtidos pela reportagem por meio da Lei de Acesso à Informação, podem indicar uma explosão de mortes por Covid-19 que não estão registradas nos boletins epidemiológico da secretaria.

Até o último sábado (9), o Governo de Minas até então tinha registrado 118 mortes pela doença causada pelo novo coronavírus e investigava outros 144 óbitos.

Nos quatro primeiros meses do ano, o Estado registrou 855 óbitos por SRAG. Em janeiro foram 24 mortes e, em fevereiro, 17. A partir de março (quando foi decretada a situação de emergência por contra da Covid-19), os registros de óbitos por doença respiratória explodiram. Foram 287 no mês e, em abril, 527.

Considerando a média dos 10 anos anteriores no mesmo período, Minas Gerais registrou 99 óbitos. Comparando os dados de 2020 com o ano anterior, temos um aumento de 562%, passando de 129 para 855.

O ano com menor registro de mortes por SRAG em Minas nos quatro primeiros meses do ano foi em 2011: apenas 13 mortes.

O salto de nove vezes entre as mortes por SRAG em 2020 e a média dos anos anteriores, pode ser um indicador para os óbitos de Covid-19 mas não significa, necessariamente, que toda essa diferença seja explicada pela doença causada pelo vírus SARS-Covi-2. Existem outras diversas doenças respiratória como pneumonia ou influenza, por exemplo.

Epidemiologistas que trabalham em conjunto com a Prefeitura de Belo Horizonte, explicam que essa explosão de casos da SRAG pode ter a ver com a mudança de comportamento dos médicos.

Para o epidemiologista Estêvão Urbano, diz que, é possível que, por causa da pandemia, os profissionais de saúde tenham passado a registrar SRAG como causa da morte em vez de “causa indefinida”.